Introdução
Você sabe exatamente quais documentos precisa ter no seu consultório para estar em conformidade com o CRP? A resposta pode surpreender muitos psicólogos autônomos — principalmente quem está começando agora.
Além de ser uma exigência ética e legal, ter a documentação organizada te protege em situações complicadas. Imagine que um paciente entre com uma reclamação ou que precise apresentar registros em algum procedimento. Sem os documentos corretos, você fica vulnerável.
A boa notícia? É mais simples do que parece. Vamos ver os 5 documentos obrigatórios que todo consultório de psicologia precisa ter, com exemplos práticos que você pode usar.
💡 Dica rápida: Comece pelo essencial — prontuário e termo de consentimento. Depois organize o resto gradualmente. Não precisa perfeccionar tudo de uma vez.
1. Prontuário do Paciente
O prontuário é o documento mais importante do seu consultório. Ele reúne todas as informações sobre o paciente: desde o primeiro contato até o encerramento do processo terapêutico.
O que deve conter:
- Identificação completa: nome completo, data de nascimento, CPF, telefone, endereço
- Histórico clínico: motivo da consulta, histórico médico, medicamentos em uso
- Avaliação inicial: primeiras impressões, hipóteses diagnósticas
- Registro de evoluções: anotações de cada sessão
- Terminação: data de encerramento e motivos
Como organizar:
Você pode usar prontuário físico (pasta individual) ou digital. O CRP não exige um formato específico — o que importa é que as informações estejam claras, organizadas e legíveis.
Importante: O prontuário é sigiloso. Ninguém pode ter acesso sem autorização do paciente, exceto em situações previstas em lei (risco à vida ou ordem judicial).
Tempo de guarda:
O CRP/CFP recomenda guardar os prontuários por no mínimo 20 anos após o encerramento do atendimento. Pode parecer muito, mas é uma proteção para você e para o paciente.
2. Ficha de Anamnese
A anamnese é o primeiro contato mais profundo que você tem com o paciente. É nela que colhe as informações que vão guiar o processo terapêutico.
Estrutura essencial:
- Dados pessoais: nome, idade, profissão, estado civil
- Motivo da consulta: queixa principal, expectativas com a terapia
- Histórico familiar: composição familiar, relação com pais, irmãos, filhos
- Histórico médico: doenças anteriores, tratamentos psicológicos anteriores, medicações
- Histórico social: vida escolar, trabalho, hobbies, redes de apoio
- Avaliação inicial: observações sobre o paciente na primeira sessão
Exemplo de pergunta essencial:
"O que te trouxe aqui hoje?" — simples, mas abre espaço para o paciente expressar sua necessidade.
A anamnese não precisa ser rígida. Você pode adaptar conforme sua abordagem (psicanálise, TCC, humanista, etc.). O importante é capturar as informações necessárias para um bom atendimento.
3. Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)
O TCLE é obrigatório segundo o Código de Ética do Psicólogo. Ele formaliza que o paciente está ciente de como o atendimento funciona.
O que deve conter:
- Objetivo do tratamento: o que é psicoterapia, como funciona
- Sigilo profissional: explicação clara sobre confidencialidade
- Exceções ao sigilo: quando você pode quebrar o segredo (risco à vida do paciente ou de terceiros)
- Duração e frequência: sessões de 50 minutos, semanal, por exemplo
- Valor: custo da sessão
- Faltas e cancelamentos: política de aviso prévio (geralmente 24h)
- Encerramento: como o processo pode ser encerrado
- Contatos: seus dados para emergências
Modelo simples:
"Eu, [nome do paciente], declaro que fui informado(a) sobre o funcionamento do processo psicoterapêutico, incluindo o sigilo profissional, as exceções previstas em lei, o valor das sessões e a política de faltas. Concordo com os termos expostos."
Assinaturas do paciente e do psicólogo.
Dica: Tenha o TCLE impresso e assine na primeira ou segunda sessão. Isso evita mal-entendidos futuros.
4. Ficha Financeira
Manter registro financeiro não é apenas organização — é proteção profissional. Você precisa saber quem pagou, quanto e quando.
O que registrar:
- Nome do paciente
- Data da sessão
- Valor cobrado
- Forma de pagamento (PIX, transferência, cartão, dinheiro)
- Data do pagamento
- Observações (cancelamentos, sessões gratuitas, descontos)
Exemplo de organização:
| Data | Paciente | Valor | Pagamento | Status |
|---|---|---|---|---|
| 13/01/26 | Maria Silva | R$ 150 | PIX | Pago |
| 13/01/26 | João Santos | R$ 150 | Transferência | Pago |
| 14/01/26 | Ana Costa | R$ 150 | - | Pendente |
Por que é importante:
- Evita conflitos por valores
- Auxilia na declaração de imposto de renda
- Permite identificar pacientes inadimplentes
- Facilita o controle do seu faturamento
Você pode usar planilhas simples ou sistemas especializados. O CRP não exige um formato — apenas que haja organização.
5. Registro de Evoluções
Cada sessão precisa ser registrada. O registro de evoluções é o que compõe o histórico terapêutico do paciente.
O que anotar:
- Data da sessão
- Tópicos abordados
- Intervenções realizadas
- Observações sobre o estado emocional
- Tarefas ou compromissos (se aplicável)
- Avaliação geral da sessão
Exemplo simples:
"13/01/26 - Paciente trouxe dificuldade em relacionamento interpessoal. Trabalhamos padrões de comunicação. Sugeriu exercício de escuta ativa em casa. Paciente demonstrou abertura para o tema."
Cuidados importantes:
- Seja objetivo e profissional — não faise julgamentos moralistas
- Use linguagem técnica adequada, mas compreensível para você
- Evite detalhes desnecessários que não contribuem para o tratamento
- Mantenha o registro logo após a sessão, enquanto a memória está fresca
O registro não precisa ser longo. O importante é capturar o essencial de cada encontro.
Checklist Rápido
Antes de continuar, confirme que você tem:
- Prontuário completo de cada paciente
- Ficha de anamnese atualizada
- TCLE assinado por todos os pacientes
- Ficha financeira organizada
- Registro de evoluções de cada sessão
Se você tem tudo isso, parabéns! Você está em conformidade com o CRP/CFP e protegido profissionalmente.
O Que Fazer Agora
Não precisa perfeccionar tudo de uma vez. Se você está começando:
- Pegue um modelo de TCLE e comece a usar já — isso é o mais urgente
- Crie uma pasta física ou digital para cada paciente (prontuário)
- Registre as sessões logo após o atendimento
- Organize a parte financeira em uma planilha simples
- Ajuste a anamnese conforme sua abordagem
A documentação fica mais fácil com o tempo. O importante é começar.
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Conclusão
Ter os 5 documentos obrigatórios no consultório não é apenas burocracia — é cuidado profissional. Eles protegem você, protegem seus pacientes e garantem que seu trabalho esteja em conformidade com o CRP.
Se você está começando agora, não se preocupe em ser perfeito desde o início. O importante é ter uma estrutura básica e ir aprimorando aos poucos.
E você? Já tem todos esses documentos organizados no seu consultório? Tem alguma dúvida sobre como implementar algum deles?
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