Você precisa de mais pacientes, mas trava na hora de se divulgar. Aparece a dúvida: "posso postar isso? Vou levar advertência do CRP se anunciar meu consultório?" Aí o post fica na gaveta, o perfil profissional some, e quem chega até você é só indicação — quando chega.
A boa notícia é que o Conselho não proíbe você de se divulgar. Ele organiza como essa divulgação acontece. Quando você entende a régua, para de andar no escuro: dá pra ter presença online, atrair paciente e continuar 100% dentro da ética.
Resposta rápida: o psicólogo autônomo pode, sim, divulgar seus serviços — em rede social, site ou indicação — desde que se identifique corretamente (nome completo, título de psicólogo e número de registro no CRP), fale do trabalho de forma informativa e nunca sensacionalista, e respeite o sigilo. É vedado usar depoimento, foto ou caso de paciente, prometer resultado ("cura garantida"), usar o preço como chamariz de propaganda (desconto, "primeira sessão grátis", sorteio), fazer sensacionalismo ou se promover diminuindo colegas. Essas regras vêm do Código de Ética Profissional do Psicólogo e da Nota Técnica CFP 1/2022. Na dúvida sobre um caso específico, consulte o seu CRP regional.
Por que essa dúvida trava tanta gente
Quem atende sozinho não tem equipe de marketing nem assessoria jurídica. Você é o profissional, a secretária e — quando dá coragem — quem cuida do Instagram do consultório. O medo de infringir uma norma que você nunca leu por inteiro é real, e ele custa caro: sem divulgação, a agenda depende só do boca a boca.
O que costuma faltar não é vontade de aparecer. É saber onde está a linha. A maioria das regras de publicidade da psicologia é intuitiva quando você a lê de uma vez: elas protegem o paciente e a seriedade da profissão. Nenhuma delas te obriga a ficar invisível.
Vale separar duas normas que costumam ser confundidas. As regras de divulgação e publicidade vêm do Código de Ética e da Nota Técnica CFP 1/2022. Já a Resolução CFP 09/2024 trata de outra coisa — a prestação de serviços psicológicos por meios digitais (atendimento online) — e não é o assunto deste guia. Não misture as duas como se fossem a mesma regra.
O que você PODE fazer ao se divulgar
Existe muito espaço para construir presença profissional. Estes movimentos são compatíveis com o Código de Ética:
Ter um perfil profissional separado do pessoal
A Nota Técnica CFP 1/2022 orienta cautela nas fronteiras entre o espaço profissional e o pessoal. Na prática, o caminho mais tranquilo é manter uma página só para o consultório — desvinculada do seu perfil pessoal, onde você posta viagem, política e vida particular. Isso protege sua imagem e evita associações que você não escolheu.
Se identificar corretamente em toda divulgação
Segundo o Código de Ética e a orientação dos conselhos (veja o material do CRP-SC sobre publicidade e redes sociais), sua divulgação deve trazer:
- O título de psicólogo(a);
- Seu nome completo (não é permitido abreviar ou omitir sobrenome);
- Seu número de registro no CRP (ex.: CRP 00/00000).
Você pode indicar seu campo de atuação — "psicólogo clínico", "psicóloga do trabalho" — e só mencionar especialidade se tiver o registro correspondente junto ao CRP.
Produzir conteúdo educativo
Falar sobre saúde mental, explicar como funciona um processo terapêutico, desmistificar o "quando procurar um psicólogo" — tudo isso é divulgação legítima e é o que mais aproxima paciente. O foco é informar e cuidar, não vender a qualquer custo.
Divulgar valores de forma discreta
Você pode informar o valor da sessão de maneira discreta e informativa (muitos preferem passar em conversa privada). O que não pode é transformar preço em propaganda — voltamos nisso no bloco seguinte.
O que é VEDADO — e por quê
Aqui está a lista que evita advertência. Cada item existe para proteger o paciente ou a seriedade da profissão:
Depoimento, foto ou caso de paciente. Mesmo com autorização, expor quem você atende é desaconselhado — fere o dever de preservar identidade, privacidade e intimidade da pessoa atendida (Código de Ética, Art. 9º). Aquele "print do feedback da paciente" não vale o risco.
Previsão taxativa de resultado. Nada de "cura garantida", "resultado em 5 sessões" ou promessa de desfecho. O Código veda a previsão taxativa de resultados (Art. 20). Terapia não é contrato de entrega — e prometer o que não se controla quebra a confiança.
Preço como forma de propaganda. Informar o valor, tudo bem. Usar o preço como isca — "desconto imperdível", "primeira sessão grátis", cupom, sorteio, "preço social promocional" — é vedado. A lógica é não transformar sofrimento psíquico em liquidação.
Sensacionalismo. Conteúdo que explora dor alheia, alarmismo ou apelo exagerado para engajar não cabe. A divulgação sensacionalista das atividades profissionais é expressamente vedada.
Autopromoção em detrimento de colegas. Você pode mostrar seu trabalho; não pode se vender diminuindo outros profissionais ou outras abordagens.
Associar-se a práticas não regulamentadas. Misturar a atuação como psicólogo com serviços sem respaldo científico (astrologia, tarot, reiki e afins) descaracteriza o serviço psicológico.
Divulgar como empresa sem ter empresa. Se você é autônomo sem CNPJ, a divulgação é feita exclusivamente como pessoa física, em seu próprio nome — sem nome fantasia de "clínica" que não existe formalmente.
⚠️ A responsabilidade continua sua. Contratar alguém para cuidar das redes não transfere o dever ético. Se uma agência ou um familiar publica algo em seu nome, a responsabilidade pelo conteúdo é do profissional. Combine as regras antes de delegar o perfil.
Um checklist antes de publicar
Rode esta lista mental (ou salve como nota no celular) antes de postar qualquer coisa do consultório:
- Estou me identificando? Nome completo + título + CRP aparecem onde precisa.
- Tem paciente exposto? Nenhuma foto, print, depoimento ou caso identificável — nem com autorização.
- Prometi resultado? Zero garantia de cura ou de prazo de melhora.
- O preço virou isca? Nada de desconto-chamariz, "grátis" promocional ou sorteio.
- É informativo ou sensacionalista? O post educa e acolhe, não explora medo nem dor.
- Falei mal de colega? Mostro meu trabalho sem diminuir ninguém.
- Estou como PF? Se não tenho empresa, divulgo em meu próprio nome.
Se passou nos sete, você está dentro da ética — e livre para aparecer.
Como isso se conecta com o resto da sua organização
Divulgação ética anda junto com uma clínica organizada. Dois pontos aparecem sempre:
- Sigilo é premissa, não detalhe. As mesmas regras que proíbem expor paciente na divulgação valem na sua rotina inteira — inclusive no uso de ferramentas digitais. Se você usa tecnologia no dia a dia, vale ler como usar IA na psicologia sem ferir ética e sigilo.
- Base documental em ordem. Antes de escalar a captação, tenha o básico formal do consultório resolvido — veja os documentos obrigatórios no consultório de psicologia (CRP).
E quando os novos pacientes começam a chegar, o gargalo muda de lugar: em vez de "como divulgo?", vira "como não me perco no WhatsApp marcando todo mundo?". Aí a conversa é sobre limites e organização no atendimento.
Se quiser transmitir profissionalismo desde o primeiro contato — sem depender de secretária — um link próprio de agendamento onde o paciente marca sozinho ajuda a passar a imagem cuidada que a divulgação promete. É um dos usos da Plenne, que você pode testar gratuitamente por 7 dias para organizar agenda, lembretes e prontuário num lugar só.
Perguntas rápidas
Posso mostrar meu consultório e meu rosto? Pode. Foto sua, do espaço de atendimento e conteúdo educativo são divulgação legítima. O que não entra é a imagem ou o relato de quem você atende.
Posso responder comentário elogiando meu trabalho? Agradecer, sim. Republicar o elogio como depoimento de paciente, não — isso reexpõe a pessoa atendida.
Preciso avisar o CRP que vou divulgar? Não há um "cadastro de publicidade" para o dia a dia. A responsabilidade é seguir o Código de Ética e a Nota Técnica. Para dúvidas de um caso concreto, o canal certo é o seu CRP regional.
Divulgar não é o oposto de ser ético — é uma parte do trabalho de quem atende sozinho e precisa que a agenda se sustente. Com a régua clara na cabeça, você troca o medo de errar pela liberdade de aparecer com seriedade.
Este conteúdo é informativo e não substitui a leitura do Código de Ética Profissional do Psicólogo, da Nota Técnica CFP 1/2022, nem a orientação do seu CRP regional para casos específicos.
Fontes:
- CFP — "CFP divulga orientações à categoria sobre publicidade nas redes sociais" / Nota Técnica CFP 1/2022. Disponível em: site.cfp.org.br. Acesso em 19 jul. 2026.
- CRP-SC — "Publicidade e uso de redes sociais na Psicologia". Disponível em: site.crpsc.org.br. Acesso em 19 jul. 2026.
